O outsourcing não se abala
Fonte: TI Inside -
26/02/2009
Prestadores de serviços de TI conquistam espaço, mesmo
deixando de lado o mote da redução de custos
A palavra é discrepância. Uma tradução para o cenário atual quando
analisados os bons desempenhos dos prestadores de serviços de
tecnologia da informação e os péssimos resultados da economia, devido
à recessão mundial. Prova é que a cada R$ 1 mil gastos com TI em uma corporação, cerca de R$ 333,00 são pagos a prestadores de serviços,
segundo um recente relatório elaborado pela Lünendonk em conjunto
com a GFT Technologies, em diversos países do mundo. E mais: a redução
de custos deixou de ser o impulsionador para adotar o outsourcing. Agora,
a regra é aproveitar a transferência de conhecimento e a disponibilidade
de atendimento em várias localidades.
O que foi constatado em todo o mundo pela pesquisa parece ser também
replicado nas corporações brasileiras que buscam, no outsourcing de TI,
formas de resolver problemas operacionais e de cunho técnico, sem
perder tempo e foco no seu core business. E temos exemplos, como o da
Accor Services, empresa que administra operações financeiras para
conceder crédito por meio das marcas Ticket, Ticket Seg, Accentiv e a
Build Up. A organização movimentou mais de R$ 6,7 bilhões no último ano
(por ser uma empresa gestora de créditos por cartões, consideramos que
somente cerca de 4% a 5% desse montante é o seu faturamento líquido)
e planeja investir cerca de 10% do seu lucro em TI. Sendo 8% destinados exclusivamente à terceirização de serviços.
Toda a operação de data center, totalizando 70 servidores, foi terceirizada
à IBM. “Temos servidores da Sun Microsystems e da Intel”, diz José Rubens
Spada Junior, diretor de tecnologia e operações da empresa. segundo ele,
os serviços de desenvolvimento de aplicações, caso da programação de
códigos, assim como o help desk são terceirizados. Este último com uma
estrutura que atende a 1,2 mil chamados por mês, em média, e, em
momentos ociosos,
preserva o mínimo contingente necessário para
qualquer incidente.
O diretor da Accor antecipa que este cenário ainda
deve sofrer novas evoluções este ano, quando já está prevista a
terceirização
não só operacional mas também de todo o desenvolvimento
de aplicações.“A Ticket, por exemplo, desenvolve projetos para atender
corporações e
cada um dos trabalhos exige o desenvolvimento de aplicações específicas,
que deve ser feito por pessoas especializadas”, complementa.
Atualmente,
segundo ele, a Accor Services conta com um escritório
próprio somente para atender a esta demanda, de forma que os analistas
internos fazem a gestão
de projetos e os terceirizados executam a
programação. “Ainda estamos
definindo fornecedores para essa nova
demanda”, avalia Junior.
Junto com essas mudanças, ele também procura unificar os fornecedores
de TI para aumentar ainda mais o foco de seu core business. “Quando se
tem apenas um fornecedor, cobram-se resultados e, assim, você passa a
ter um parceiro. Mas quando se tem 10, é preciso geri-los, e isso exige
tempo, além de não haver como transformá-los em parceiros”, avalia.
O novo plano de outsourcing da companhia não resulta, necessariamente,
em demissões, como garantiu o executivo. Dessa forma, a Accor Services
deve prosseguir com seu quadro de 130 profissionais de TI, mais 100
trabalhando em desenvolvimento de projetos. Desses últimos, parte são terceirizados e parte contratados, sem contar com os 90 terceirizados da
área de TI, que trabalham em conjunto com os demais contratados.
Prática legal
O que a Accor Services está buscando com o outsourcing de TI também
é o que a maioria dos entrevistados pelo relatório da GFT (26%) procura:
aproveitar a experiência do prestador de serviços para lidar com TI. E
essa é uma prática legal, segundo a advogada Maria Cristina Machado
Cortez, sócia do escritório Trench, Rossi e Watanabe.
Segundo ela, não há empecilho à atividade de outsourcing de TI ou de
qualquer outra natureza,
pois a súmula 331, do Tribunal Superior do
Trabalho, só estabelece como
ilegal se a terceirização for feita para
execução da atividade fim da empresa.
Sendo assim, os profissionais
terceirizados podem ser tranquilamente
prestadores de serviço, desde
que não se comportem como funcionários
do cliente, reportando
diretamente a um supervisor, ou usando o crachá
que o identifique como
tal.
Aliás, quando o capital humano é acertadamente encarado como parte
do processo de outsourcing, outros números mostram
como as corporações
estão buscando, cada vez mais, resolver problemas
com a ajuda de parceiros. Um relatório da Symantec aponta que o
preenchimento de vagas é uma das
maiores dificuldades para o gestor de
TI, de forma que 43%, dos 1,6 mil
gerentes entrevistados, relatam estar
com falta de mão de obra
especializada. Dessa forma, a alternativa é
terceirizar, algo que 45%
desses insatisfeitos estão fazendo.
Em meio a esse cenário, os prestadores de serviços de TI estão “nadando
de braçadas” e, contrários à crise do mercado mundial, animados com o
novo ano. A Interfile, empresa que oferta BPO (Business Process
Outsourcing), cresceu 26% no último ano, com foco, principalmente, em ferramentas para auxiliar processos de recuperação de créditos em
instituições financeiras, mercado que apresenta 70% do seu faturamento. “Acreditamos que 2009 será tão promissor quanto o ano anterior, mas
despenderá de um maior esforço por parte dos prestadores de serviços,
pois os clientes estarão mais cautelosos para investimentos”, diz Sérgio
Souza, diretor geral da empresa.
Sua concorrente, a TCI, registrou
resultado ainda melhor, com crescimento de 60% em 2008 sobre 2007. Diferentemente, porém, a empresa divide seu foco de atuação entre os
mercados públicos e privados e credita o resultado à formação de parcerias
com empresas de grande porte, como a Telefônica e a área de outsourcing
da PricewaterhouseCoopers (PwC). “Crescemos na prestação de serviços
de BPO, principalmente em algumas verticais importantes para a companhia,
como o setor financeiro e de saúde. Mas, para 2009, queremos ampliar
atuação no mercado privado dos diversos segmentos da economia”, diz
Fábi Fischer, CEO da organização.
Infraestrutura
Assim como os contratos de serviços andam de vento em popa, o
outsourcing da gestão de infraestrutura também continua sendo um
bom negócio. E a Arcon, companhia de médio porte que presta
gerenciamento
para infraestrutura de TI, é um exemplo dos resultados
positivos. “Nossa meta de faturamento para 2008 era de R$ 22 milhões e
nos vimos
em meio a um saldo de R$ 30 milhões, com a responsabilidade
de manter
a qualidade dos serviços prestados”, comemora Marcelo Barcellos,
CEO da
Arcon.
Um caso comum, como identificou pesquisa da Frost &
Sullivan
publicada em meados de 2008. em comparação com 2007, a
terceirização
de serviços para infraestrutura de TI na América Latina deve
crescer 120%
até 2013. Os dados mostram uma evolução gradual da
simples terceirização
de serviços de infraestrutura básica, como a collocation
e o
hosting, para o outsourcing de todo o ambiente de tecnologia dos clientes.
Seja em processos de negócios (BPO) ou em gestão de infraestrutura
(engineering outsourcing) ou seja em outsourcing de de mão de obra – grupo
que forma a tríplice do outsourcing para TI – os resultados do outsourcing
podem ser descritos como inabaláveis, pois se já cresciam na fase bonança,
tendem a ser mais eficazes neste período de ressaca, justamente pela falta
de liquidez das organizações para investimento em servidores, storages,
sistemas e outros recursos de TI.
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